Para discutirmos os caminhos que devemos seguir em busca da melhoria dessa convivência, é importante entendermos os perfis e as motivações dos indivíduos de cada uma dessas gerações.
Os Baby Boomers são os nascidos logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964. A expressão Baby Boomer, livremente traduzida como explosão de bebês, vem do extraordinário aumento da taxa mundial de natalidade, ocorrido no pós-guerra. Os Boomers se caracterizam pela importância que dão à estabilidade do emprego. Seus valores profissionais estão baseados em tempo de serviço e preferem ser reconhecidos por sua experiência à sua capacidade de criar e inovar. Persistência e determinação são importantes para o alcance do sucesso. Têm dificuldade em acompanhar a velocidade do avanço tecnológico e, por exercerem funções de alta gerência, chocam-se diretamente com as gerações mais jovens, acostumadas à rápida evolução tecnológica e às mudanças de valores e comportamentos.
Na Geração X estão os nascidos entre 1965 e 1981. Eles foram protagonistas de grandes mudanças sociais e culturais. Enfrentaram crises de desemprego e passaram a acreditar que as empresas e governos não iriam cuidar do seu bem-estar. Valorizam a experiência e a competência na carreira. Segundo o autor de Fundamentos do Comportamento Organizacional, Stephen P. Robbins: “na busca pelo equilíbrio, os membros desta geração mostram-se menos dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelos seus empregadores do que as gerações procedentes”. Permitem-se pensar em qualidade de vida.
Geração Y
Na Geração Y ou Millennials ou Internet estão os nascidos entre 1982 e, para alguns estudiosos até a década de 1990 e para outros até 2000. Essa geração já nasceu, segundo Don Tapscott, escritor e pesquisador, em seu livro A hora da geração digital: “imersa na interatividade, na hiperestimulação e no ambiente digital. Devido esses fatores, os indivíduos dessa geração são mais informados e possuem um nível de educação frequentemente mais elevado que os integrantes das gerações anteriores”.
Os Millenials têm definição clara de seus objetivos pessoais e profissionais, mantêm o foco na performance, estão sempre em busca de conhecimento, são acostumados à mudança e veem as novas tecnologias como facilitadoras no ambiente de trabalho e geradoras de inovação. Foram acostumados a conseguir o que querem, não se sujeitam às tarefas menores de início de carreira e lutam por salários ambiciosos.
Em 2030, 75% dos profissionais atuando em corporações pertencerão à Geração Y. US Bureau of Labor Statistics
A Geração Y tem sido o foco das corporações, tendo em vista que em cerca de 10 anos ela representará 75% da força de trabalho mundial, conforme estudo promovido pelo US Bureau of Labor Statistics. Mudanças importantes no ambiente organizacional já podem ser vistas a partir da inserção desse grupo. O grande desafio das organizações é encontrar formas de dialogar com essa geração. Pelo imediatismo e autoconfiança em excesso, eles estão sempre ansiosos pelo crescimento profissional, por isso são desapegados e trocam de emprego com frequência em busca de oportunidades que ofereçam novos desafios.
Esse desapego assusta os gestores e talvez aí esteja a primeira grande mudança pela qual as organizações devam passar.
Como as organizações poderão dialogar, desenvolver e aculturar essa geração?
Os Millennials fazem referência ao desenvolvimento como o fator mais importante para permanecer e apostar em uma empresa. Muitos acreditam que a troca de conhecimentos seja uma das principais responsáveis pela evolução pessoal e profissional.
Diante disso, a mentoria estratégica pode ser um passo importante para proporcionar um ambiente estimulante de convivência entre as diversas gerações, pois é uma forma colaborativa de compartilhar informações, experiências, conhecimentos e cultura organizacional. É um processo com objetivos e metas específicas e que traz resultados reais.
Todas as gerações têm algo para aprender e ensinar umas para as outras. Os Baby Boomers ou X, mesmo tendendo ao conservadorismo, pensam estrategicamente e suas decisões são estatisticamente mais acertadas, mas precisam entender e aceitar que os mais jovens possuem a capacidade da inovação, da motivação e de lidar com as mudanças. Com essa troca, as ideias podem ser inovadoras, mas concebidas estrategicamente.
A mentoria estratégica pode trabalhar diversos aspectos do desenvolvimento pessoal, seja individualmente ou em grupo, tais como: liderança, habilidades em comunicação, aumento de performance, demandas comportamentais, entre outros.
Neste processo é importante implantar a mensuração dos resultados e o objetivo final é sempre a troca de conhecimentos e desenvolvimento mútuo.
“Uma conversa de mentoria estratégica pode levar o mentorado, ou até mesmo o mentor, a uma área de aprendizagem e evolução”, afirma Renato Ricci, no livro Mentoria Estratégica: Conceitos e Práticas.
Não muito distante da Geração Y, já percebemos a chegada da Geração Z, com um perfil acelerado e o excesso de informações trazidas pela evolução tecnológica que pode, em vez de facilitar, complicar a vida das corporações. Mas isso é assunto para outro post!
ROBBINS, Stephen P. Fundamentos do Comportamento Organizacional. São Paulo: Prentice Hall, 2004 TAPSCOTT, Don. A hora da geração digital: Como os jovens que cresceram usando a internet estão mudando tudo. Rio de Janeiro: Agir, 2010. RICCI, Renato. Mentoria Estratégica: Conceitos e Práticas. São Paulo: NewBook, 2016